O Bloqueio das ajudas, socorristas e voluntários na Venezuela. Sismo duplo M7.2 e M7.5
A ajuda humanitária e os socorristas estão a enfrentar un bloqueio sistemático por parte do governo. A informação real que nos chega de meios informativos independentes difere exageradamente daquela que é dada pelo governo.
Assim que o nosso sistema lançou o alerta dos sismos da Venezuela de magnitude M7.2 e M7.5, começámo-nos a mover para monitorizar as ondas sísmicas. Paralelamente, unimo-nos a um noticiário ao vivo que ia retransmitindo em direto a informação, vídeos e notícias que iam chegando de diferentes zonas. Nós estivemos a informar, por nossa parte, o noticiário em todos os momentos no que respeita à parte técnica.
O noticiário que escolhemos foi https://www.youtube.com/@elinformantetv, de Carlos Marin. Realmente, deve-se sempre recorrer aos meios oficiais para obter dados verídicos, mas o que encontrámos com o governo da Venezuela ultrapassa toda a lógica humana. Daqui queremos enviar um abraço e força ao povo venezuelano, porque realmente precisam e precisarão. Como se verá a seguir, não se pode confiar no governo, nos militares nem na polícia. Realmente, este youtuber fez (e está a fazer) um trabalho extraordinário, digno de ser um referente de comunicação e da liberdade de expressão.
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SEM LUZ: Muitas pessoas reportavam que periodicamente se corta a luz em vários bairros. A população encara isto como normal. Pelo que parece, e segundo fontes consultadas diretas venezuelanas, também nos indicaram o mesmo. Realmente, o sistema elétrico é muito deficiente.
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SEM TELEFONIA: Ninguém se conseguia comunicar com os seus familiares ou conhecidos. Ao não terem luz, as torres de telefonia, já afetadas pelos dois sismos, ficaram sem comunicação. Na sua maioria, a população tem de se contactar através de chamadas de WhatsApp, porque a telefonia direta está proibida. As pessoas indicavam que os SMS funcionavam.
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SEM REDES SOCIAIS: A população, para publicar no X, deve fazê-lo mediante ligações VPN. No país, estas redes estão proibidas. Ninguém podia publicar, estar informado, etc.
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SEM COBERTURA: As pessoas que podiam publicar tinham de se deslocar para zonas com cobertura e depois voltar à zona anterior. Uma verdadeira odisseia.
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SEM AEROPORTO EM MAIQUETÍA: O aeroporto ficou danificado; apenas aviões pequenos podiam usar alguma das pistas. O aeroporto que foi habilitado foi o militar, onde não param de chegar aviões de todos os países.
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SEM TRANSPORTE RÁPIDO DO AEROPORTO MILITAR PARA A ZONA AFETADA: Os voluntários que foram chegando foram deslocados através de autocarros. As pessoas pediam a trasladação imediata e rápida através de helicópteros do país. Isto nunca aconteceu.
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O GOVERNO LANÇA A AJUDA MILITAR 48H DEPOIS DOS SISMOS: Em vez de destacar todo o material disponível, o governo venezuelano lançou a ajuda à sua própria população 48 horas depois. Ninguém sabe o que aconteceu antes destas 48 horas. Foi a própria população que, com as suas próprias mãos e sem ferramentas, teve de começar a trabalhar no terreno para localizar vítimas, estivessem vivas ou mortas.
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LONGAS FILAS PARA A INSCRIÇÃO DOS VOLUNTÁRIOS: Os voluntários estiveram à espera muitas horas para se inscreverem e começarem a agir. Em muitas ocasiões diziam-lhes para voltarem no dia seguinte, quando agir nas primeiras horas é primordial.
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ILUMINAÇÃO COM MOTOS E CARROS: Vizinhos e a própria população estiveram a trabalhar dia e noite. À noite, por não terem luz, iluminavam-se através da luz das motas ou veículos, direcionando a parte frontal dos mesmos para os edifícios caídos.
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ZONAS REMOTAS SEM NOTÍCIAS: Existem muitas zonas às quais se poderia aceder através de helicóptero. Ainda não foi feito. Estas zonas ficam remotas ou inacessíveis por estrada. Ainda não foram destacados meios para essas zonas. Isto fará aumentar inevitavelmente o número de mortos.
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SEM LISTAS DE DESAPARECIDOS OU ENCONTRADOS: Foi este próprio noticiário que destinou meios e recursos para procurar e encontrar as pessoas desaparecidas com um mínimo de controlo. O governo não lançou nenhuma aplicação nem forma de os encontrar.
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USO DA POLÍTICA DO CHAVISMO: São reportados vídeos políticos onde se veem participantes deste movimento a pintar paredes fazendo política no meio deste desastre; em vez de estarem a ajudar, aproveitam a publicidade do momento.
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A PRÓPRIA POLÍCIA A SAQUEAR OS IMÓVEIS: Viram-se vídeos onde o proprietário apanhou in situ os próprios polícias que, em vez de atenderem a população, estavam a saquear os edifícios, aproveitando o facto de terem sido desalojados pelos seus inquilinos.
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A POLÍCIA TRAVA A ENTRADA DE SOCORRISTAS: Viram-se também imagens onde as pessoas corretamente inscritas não são deixadas aceder às zonas afetadas. A polícia limita-se a indicar que não podem entrar, mesmo que tenham autorização.
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SEM LIBERDADE DE EXPRESSÃO: Os meios de comunicação, sobretudo os internacionais, têm limitadas as visitas à zona; unicamente podem aceder às zonas acompanhados pela polícia, com dois autocarros, uma vez de manhã e outra vez de tarde, sem poderem aceder a nenhuma zona livremente. Isto confirma que só poderão informar sobre o que o governo indicar e nas zonas para onde os levarem. Isto não é informação. Existem muitas zonas onde é preciso dar voz às pessoas e nenhum meio de comunicação vai poder visitá-las.
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CORPOS PELO CHÃO: Já existem corpos empilhados no chão. Estas imagens não sairão à luz por parte do governo porque este proibiu completamente o acesso dos meios de comunicação a essas zonas. Voltamos à limitação da liberdade de expressão. Há zonas em que o cheiro já é demasiado forte, e isto piorará lamentavelmente nos próximos dias. Também não há sacos para os corpos ou material para os hospitais.
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DIRETORES DE HOSPITAIS MANCOMUNADOS COM O GOVERNO: Existem hospitais que negavam a contribuição de comida para as pessoas que estavam nos hospitais. Isto é inadmissível, tendo em conta que toda a população sobrevivente está totalmente dedicada a ajudar os restantes. Em direto, o Carlos procurou quem era o diretor de um destes hospitais que estavam a reportar estes problemas de bloqueio e, curiosamente, indicou que era um militar. Esta prática de colocar um militar em centros importantes parece ser normal, para ter controlado todo o sistema.
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GOVERNO, MILITARES E POLÍCIA MANCOMUNADOS: Tudo coincide sem margem para dúvidas em como todos estes corpos estão entrelaçados, formando uma malha difícil de atravessar, alcançando um controlo à força da população.
Tudo isto tem de ser confirmado, mas nós vivemos tudo isto em direto a partir deste canal e comprovámos todos estes pontos ao vivo, sem ter nada preparado e trabalhando em tempo real, com uma grande desolação e impotência, sem poder fazer nada. Qualquer pessoa que queira verificar tudo isto pode fazê-lo através dos vídeos que ficaram registados no YouTube deste canal durante todos estes dias, desde o primeiro momento do sismo, com imagens em direto, pelo que poderão verificar cada um deles, lamentavelmente.
Animamo-los a ver os vídeos do canal desde o dia dos sismos e, ao mesmo tempo, a ler os dolorosos comentários que também ficaram registados das pessoas sobre a situação que viveram, infelizmente com os sismos e a pouca ajuda que o governo lhes facilitou, bem como os bloqueios constantes, saques, etc. Preparem-se para ver uma triste realidade dura e crua para compreender o que é viver a Venezuela desde dentro; se o país já estava afetado pelo governo, os dois sismos afundaram-no ainda mais. Já os avisamos de que são muitas horas duras registadas e muito bem documentadas, tudo em tempo real.
Daqui queremos dar um grande abraço ao país venezuelano e esperemos que a comunidade internacional faça pressão para trazer tudo isto a lume. Muita força.